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Em busca do Starter Perfeito!!

Discussão em 'Fermentação' iniciado por Partala, 12/12/18.

Ajude o Home Brew Talk Brasil:

  1. 12/12/18 #1

    Partala

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    Salve camaradas cervejeiros, gostaria de uma avaliação e/ou dicas sobre os principais passos na propagação/starter de leveduras. Leve em consideração que tudo foi calculado pela calculadora do brewers friend e esta dentro do pitch e viabilidade adequados.

    1- Mosto feito a base de maltose, DME ou grãos (para pequenos volumes de 1 a 2 litros uso DME pela praticidade, mas para um starter de 5 litros acho mais vantajoso fazer um mini-mash de grãos), densidades de 1036-1040 são as mais efetivas?

    2- Nutrientes, tenho usado levedo de cerveja em comprimido na dose de 0,2g /litro na propagação, a partir da proxima leva pretendo utilizar tambem o sulfato de zinco para suplementar (1g diluido em 1000ml de água, e posteriormente medir 0,5mL para cada litro de starter, atingindo assim 0,14 ppm de zinco na solução), seria esta uma boa alternativa para "fugir" da servomyces ou outros nutrientes industrializados?

    3- Para evitar BoilOver ou blowoff utilizo algumas gotas de "FermCap" , acredito ser um procedimento Ok.

    4- Resfrio até uma temperatura de uns 18 graus antes de inocular a levedura no starter, li no artigo do Jamil e no livro Yeast que a temperatura de propagação deveria estar entre 18-24 graus C, porem mesmo em alguns dias do inverno a temperatura ambiente tende a ser muito mais alta, e mesmo tendo uma propagação em numero mais efetivo podemos não obter os individuos mais saudaveis. Logo estava pensando em fazer o starter na minha geladeira de fermentação com temperatura ambiente controlada, usando algo perto de 17-18 graus para lager e 22 para ales. Devido a inercia térmica da geladeira, que pode acabar variando demais a temperatura da propagação acredito ser melhor controlar a temperatura da atmosfera dentro da geladeira e não do starter propriamente dito.Faz sentido pra vocês camaradas?

    5- Antes de iniciar a agitação, tenho feito oxigenação do starter com O2 puro, já que tenho a disposição um cilindo com fluxometro. Para isto tenho feito a 0,5 litros/min durante 2 minutos, existe a possibilidade desta oxigenação ser prejudicialmente alta? ou até posso deixar mais tempo a um fluxo menor?

    6- StirPlate, montei meu agitador pra ter força de agitar o erlen de 5 litros, o ideal é sempre um vortex que chegue a encostar e espalhar bolhas ou a simples suspensão das células é suficiente? ( como o tópico fala em "Perfeito" futuramente irei adicionar uma bombinha de aquario com filtro para injetar mais ar no sistema durante a propagação)

    7- Apos cessar a atividade de fermentação ( com o sinal de ausência de bolhas de CO2 no erlen) devo manter ele sem agitação e iniciar a decantação em geladeira ou aguardar mais tempo em temperatura ambiente? Obs: li no yeast algo relacionado a levedura repor suas reservas de glicogênio, porem para isto ela deveria já ter consumido todo "açúcar" presente no mosto, mas não consegui entender se esta renovação de glicogênio ocorre em temperatura ambiente ou a baixas temperaturas de armazenagem e decantação e nem em quanto tempo)


    Outras duvidas:

    - No âmbito "homebrew", em que temos a disposição sachets de levedura seca com 11g, até que volume de starter posso fazer um primeiro Step com eficiencia e saúde para levedura? 5 litros para um unico sachet de dry yeast é muito stress ou posso confiar nas calculadoras e artigos do BrauKaiser?

    - Tendo em vista a disposição de um erlen de 5 e outro de 2 litros e o mesmo sachet de Dry yeast... e o numero final da propagação em bilhoes de celulas for relativamente parecido, o ideal seria fazer 1 step grande com 5 litros, ou 2 steps, com 2 litros no primeiro e 3 litros subsequente com o primeiro totalizando a mesma litragem final? A saúde ou razão de crescimento terá influencia do passo com steps para o de um unico step?


    Abraço cervejeiros, espero que tenham paciência para ler todas as duvidas... mas acredito que pode ser um topico que ira ajudar muita gente no quesito propagação.
     
    Última edição: 12/12/18
  2. 19/12/18 #2

    Paivao

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    1- Mosto feito a base de maltose, DME ou grãos (para pequenos volumes de 1 a 2 litros uso DME pela praticidade, mas para um starter de 5 litros acho mais vantajoso fazer um mini-mash de grãos), densidades de 1036-1040 são as mais efetivas?

    * Para o primeiro starter eu diria que sim. Mas gosto nos starters seguintes, me aproximar do mosto a ser fermentado.



    2- Nutrientes, tenho usado levedo de cerveja em comprimido na dose de 0,2g /litro na propagação, a partir da proxima leva pretendo utilizar tambem o sulfato de zinco para suplementar (1g diluido em 1000ml de água, e posteriormente medir 0,5mL para cada litro de starter, atingindo assim 0,14 ppm de zinco na solução), seria esta uma boa alternativa para "fugir" da servomyces ou outros nutrientes industrializados?

    Há quem fale que o Sulfato de Zinco pode ser pouco eficiente, pois se degrada muito rápido. Há quem use sem problemas. Costuma vencer a segunda posição.


    3- Para evitar BoilOver ou blowoff utilizo algumas gotas de "FermCap" , acredito ser um procedimento Ok.

    Eu não gosto de usar aditivos em pequenas brassagens (até 120L)


    4- Resfrio até uma temperatura de uns 18 graus antes de inocular a levedura no starter, li no artigo do Jamil e no livro Yeast que a temperatura de propagação deveria estar entre 18-24 graus C, porem mesmo em alguns dias do inverno a temperatura ambiente tende a ser muito mais alta, e mesmo tendo uma propagação em numero mais efetivo podemos não obter os individuos mais saudaveis. Logo estava pensando em fazer o starter na minha geladeira de fermentação com temperatura ambiente controlada, usando algo perto de 17-18 graus para lager e 22 para ales. Devido a inercia térmica da geladeira, que pode acabar variando demais a temperatura da propagação acredito ser melhor controlar a temperatura da atmosfera dentro da geladeira e não do starter propriamente dito.Faz sentido pra vocês camaradas?

    Faz, embora perca muito a precisão. O ideal é controlar o líquido e não a atmosfera. As inércias são diferentes.



    5- Antes de iniciar a agitação, tenho feito oxigenação do starter com O2 puro, já que tenho a disposição um cilindo com fluxometro. Para isto tenho feito a 0,5 litros/min durante 2 minutos, existe a possibilidade desta oxigenação ser prejudicialmente alta? ou até posso deixar mais tempo a um fluxo menor?

    No caso da fermentação existe essa possibilidade. No caso do starter, nunca ouvi relatos. Eu não deixaria.


    6- StirPlate, montei meu agitador pra ter força de agitar o erlen de 5 litros, o ideal é sempre um vortex que chegue a encostar e espalhar bolhas ou a simples suspensão das células é suficiente? ( como o tópico fala em "Perfeito" futuramente irei adicionar uma bombinha de aquario com filtro para injetar mais ar no sistema durante a propagação)

    Há relatos que o mais eficiente é o vortex. Mas o ganho de eficiência é pequeno, em relação à simples agitação do líquido. Eu entendo que ar demais gera a oxidação perfeita, um cenário em que a respiração aeróbica é intensa e que a levedura respira mais que fermenta (a Saccharomyces são altamente especializadas, não sei até que ponto, sob seleção adversa). Pode ser que as novas gerações sejam inúteis para uma boa fermentação.

    7- Apos cessar a atividade de fermentação ( com o sinal de ausência de bolhas de CO2 no erlen) devo manter ele sem agitação e iniciar a decantação em geladeira ou aguardar mais tempo em temperatura ambiente? Obs: li no yeast algo relacionado a levedura repor suas reservas de glicogênio, porem para isto ela deveria já ter consumido todo "açúcar" presente no mosto, mas não consegui entender se esta renovação de glicogênio ocorre em temperatura ambiente ou a baixas temperaturas de armazenagem e decantação e nem em quanto tempo)
    Acabaram as bolhas, decanta a levedura. Realmente é bom poupar a levedura em um ambiente sem comida. Claro que fazer isso rápido demais pode selecionar as leveduras que decantam mais rápido e atenuam menos. Mas dá pra tentar pegar o melhor dos dois mundos (atenuação x decantar).

     
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  3. 20/12/18 #3

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    Salve amigo Paivao!! realmente muito obrigado pela contribuição neste post... pelo tamanho e sequencia das duvidas achava que ninguém ia ter saco pra ler e responder..rsrs

    O que me intrigou mais sobre as respostas seria as do item 6... no que eu lia entendia que na realidade a levedura em sua fase aeróbica não necessariamente respirava(efeito de crabtree devido a concentração de açucares), mas usava o O2 para sintetizar ácidos graxos (saúde da membrana celular e sua permeabilidade) e esteróis (importantes no resultado final em cervejas que se deseja uma menor esterificação) ...

    mas então nesta logica que mencionou, seria possível ao dissolver O2 "de mais" no starter selecionar indivíduos que não seriam adequados para fermentação?
     
    Última edição: 20/12/18
  4. 21/12/18 #4

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    Eu diria que um starter com muito O2, com leveduras que desde que nasceram fazem respiração aeróbica, deixaria sim elas "mal acostumadas" à um ambiente com pouco ou nenhum O2. Lembro que a respiração aeróbica gera muito mais ATP para as leveduras que a anaeróbica. A proliferação seguinte (nesse ambiente com muito O2) beneficiaria as leveduras mais adaptadas à respiração e não a fermentação.
    Normalmente isso não acontece. Mas nunca vi ninguém que deixasse o O2 ligado continuamente. Ah, a respiração das leveduras também deixa um gosto mais ácido no líquido, pode ser legal provar algum dia. Algo que remete à queijo, ou a cheetos.
     
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  5. 21/12/18 #5

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    Mas com todo o respeito, Partala, após a adolescência, esqueça as ideias de perfeição. Pense antes em melhoria contínua. Esta fala em mexer nas margens e a outra em uma quebra de conceitos. Mas quebrar conceitos não funciona dentro de uma tecnologia, mas sim na criação de uma outra tecnologia.
    Em resumo, fazer o starter como ele vem sido feito, com a mesma levedura que tem sido usada e querendo alterar radicalmente uma variável (O2) normalmente não vai funcionar. Tente trabalhar na margem.
     
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  6. 23/12/18 #6

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    Salve amigo Paivao!! Obrigado pelas contribuições... vou pesquisar mais sobre os tais criterios de seleção e especialização das leveduras..., mas um detalhe não que eu deixe o tempo todo o O2 puro.. na verdade fiz a tal tecnica de O2 nas ultimas duas brassagens... era apenas uma recomendação que li por cima no "Yeast" para uma "carga" antes de iniciar a agitação...mas infelizmente no livro sobre esse detalhe não se aborda números especificos(pelo menos não encontrei relacionados ao starter)
    Yeast pág 97 "If you have pure oxygen handy, you can add a dose of oxygen to your starter at the beginning. You will get far healthier yeast and far more yeast growth if you provide a small, continuous source of oxygen throughout the process. Oxygen is critical to yeast growth, and not providing any oxygen to the yeast can have a long-term negative impact on yeast health. Yeast use oxygen to synthesize unsaturated fatty acids and sterols, which are critical to creating a healthy cell membrane and good cell growth. With oxygen present, yeast grow rapidly. With no oxygen, yeast grow far more slowly and reach a lower total mass of cells."

    Sobre o "lance de starter perfeito" rs, é apenas essa logica mesmo... Digamos... saber qual seria o "ideal" no âmbito homebrew, e ir fazendo as melhorias..digamos... não que todo starter ou todo o processo cervejeiro se não for ideal não surtira efeito..era apenas em uma ideia de gerar discussão sobre quais seriam os parâmetros ideais..para ver se estamos pelo menos na direção certa..rsrs

    Muito obrigado pelas dicas e troca de ideias... os posts não ficarão sem up-dates, porem vai demorar alguns dias... irei brassar novamente apenas a partir do dia 10 de jan... provavel repetir a Kolsch que deu errado...só que com muito mais levedura,... e talvez outra cepa mais selecionada para a Hibryd!
     
  7. 15/1/19 #7

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    Bom dia Partala, vou tentar responder suas perguntas da forma mais precisa possível tanto no âmbito de HB quanto em lab e tentar deixar umas dicas:

    1 - Manter o starter entre 1.030 e 1.40 SG é importante por vários motivos, primeiro que você quer a fase exponencial de crescimento da levedura e não o período de fermentação, e para que isso aconteça logo e de maneira bem pronunciada é bom sempre garantir um overpitching. Um segundo motivo importante é não colocar a levedura sobre estresse osmótico intenso, quanto menor sua OG menor será a pressão osmótica na célula, o que fará você ter leveduras mais "saldáveis". Agora em se falar em eficiência é complicado, porque eu não sei bem o que você quer dizer com isso. Por exemplo, existe uma relação enorme entre tamanho do estarter, reprodução de levedura, OG, pH e temperatura. No seu caso usando OGs maiores você vai ter maior número de células, entretanto a fase de crescimento irá demorar um pouco mais, a pressão osmótica será maior. Provavelmente você não sentirá diferença alguma na hora de fazer sua cerveja, mas os manuais de HB indicam você a fazer isso mais por tradição e por estar em uma zona de segurança. Se você irá propagar várias vezes a levedura e depois irá reutilizar a lama, então você deve minimizar todo possível estresse que a levedura sofrerá, se você está fazendo um starter para uma única fermentação de OG abaixo de 1.070 SG, você nunca notará a diferença de um starter feito com 1.030 SG para um com 1.050 SG, a não ser talvez pela demora no starter.

    2 - O sulfato de zinco realmente melhora a saúde do seu fermento, por ser um nutriente essencial e pelos N motivos que com certeza você já leu. Qual seriam os nutrientes industrializados que você fala e qual seria o problema que você vê com eles? Outro ponto é que você está fazendo um Starter para HB e não fará diferença alguma melhorar o suplementação com Zn ou Cu. Estou dizendo isso porque fiz infinitos starters para diferentes situações, desde modelagem matemática para estimar crescimento de levedura, até fazer cerveja em casa para o Natal, tomei muitos destes starters e a diferença é invisível. Eu sei que ela existe, eu faço suplementação completa e etc, mas apenas quando vou congelar ou liofilizar a levedura, quando vou fazer cerveja (exceto situações muito específica) eu não uso nada disso porque é desperdício, e quando acaba qualquer coisa que eu uso na suplementação geralmente sai do meu bolso, pois não dá para esperar abrir edital para insumos (o famoso descaso com as universidades no Brasil). Em resumo, se você não suplementar com Zn sua levedura não vai se recusar a trabalhar ou vai fazer um trabalho mal feito. Além disso, excesso de zinco é tóxico para levedura, logo se você não tem muita experiência eu aconselho sim você a comprar os nutrientes industrializados chamados criativamente de "nutrientes para levedura" em que já consta uma concentração correta de Zn.

    No caso da rápida absorção do Zn aconselho você a dar uma olhada nesse artigo, nele você verá que ela não é tão rápida assim e depende de algumas variáveis.

    3 - Tanto faz, eu não uso, simplesmente controlo o fogo. (Mas sim, já fiz muita cagada chata de limpar)
     
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  8. 15/1/19 #8

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    Continuando:

    4 - Eu discuti em outro tópico seu sobre a "inércia térmica", então para não repetir aqui é mais fácil você dar uma olhada lá. Mas sobre a temperatura do starter, você deve fazer a hidratação do seu fermento em 30ºC que garante máxima viabilidade, a temperatura do starter que faz o mesmo ter maior quantidade de células viáveis é entre 30 e 32ºC, acima disso a viabilidade começa a cair novamente (aparentemente pela rápida produção de álcool).

    5 - Você pode buscar a concentração de O2 do seu starter na mesma quantidade do mosto, ou seja, algo entre 8 e 14 ppm. O ideal não é você estimar a concentração de O2 no seu starter, até porque você não explicou bem como fez, então o máximo que posso dizer é que se você quer precisão, vai ter que comprar um medidor de O2 dissolvido (nunca vi por menos de mil reais aqui no Brasil). Mas para não te deixar sem ao menos uma opinião pessoal: Usando ar é mais fácil, barato e seguro de se conseguir os 8ppm, no caso eu sempre fiz o clássico de despejar o mosto no erlen e dar uma boa misturada.

    6 - O tamanho do vórtice não é importante, de verdade, o importante é manter sua levedura em constante movimento. Mas a título de precisão, a velocidade de rotação pode aumentar sim um pouco o crescimento celular, mas não passa de 0.5 B/g, então não precisa criar um super vórtice não, uma velocidade média já está ótimo.

    Outra coisa, não invente de injetar O2 durante a fermentação, a fermentação é anaeróbia, o 02 é consumido bem no início para a produção de ácidos graxos e síntese do ergosterol e depois que 02 é consumido, a levedura irá buscar esses ácidos graxos e hormônios nas leveduras mortas, esse é o processo natural e deixa acontecer dessa forma.

    7 - O assunto do glicogênio é um tanto complicado de lidar, ele é uma reserva metabólica da levedura e o mecanismo por trás disso não é algo linear, ou seja, cepas diferentes reagem de forma diferente e também sofrem bastante influencia da temperatura. O que eu vou dizer agora pode soar abstrato, mas no geral a Saccharomyces o ponto de inflexão (temporalmente falando) do glicogênio/trealose é quase o mesmo da atenuação. Ou seja, praticamente no momento em que você passa da máxima atenuação e a velocidade de atenuação começa a diminuir, a velocidade de produção de glicogênio aumenta e isso faz total sentido. Então a reserva de glicogênio começa na fermentação. Claramente que a temperatura também influência nisso, quando você resfriar seu starter você terá um grande acúmulo de trealose ali pelos 7ºC justamente para garantir a saúde da parede da membrana celular em baixas temperaturas.

    Uma pergunta importante que te faço é: Para que você vai resfriar seu starter ? Se você vai fazer cerveja com ele não deixe a fermentação acabar, você deve inocular seu starter no momento em que as leveduras estão mais saudáveis, pois assim elas vão continuar a fermentação imediatamente. O propósito primário do starter é já inocular no mosto uma fermentação começada, o propósito secundário é aumentar o número de células. O mesmo vale para caso você faça armazenamento, o melhor momento é assim que ela atingiu a atenuação máxima ou um pouco antes.



    Perguntas extras:

    1 - Essa pergunta é complicada de ser respondida, o ideal é sempre deixar o pitching rate alto, no caso do seu starter de 5 L com OG 1,040 SG, o pitching correto para fazer a fermentação seria de 37 bilhões de células, como um pacote de 11g , você tem um total de 110 bilhões de células. Você sempre deve manter o overpitching, quanto menor ele for, mais tempo seu starter pode demorar para iniciar a fermentação e atingir o número de células desejado. Sobre confiança, eu diria que você não pode confiar em nada, pois fermentação é uma das coisas mais malucas que existem, mas não temos muita escolha, só temos isso pra usar no âmbito HB. Esse ano ainda eu estou com planos de desenvolver um método para estimar número células usando mecânica estatística, se ficar bom farei uma calculadora.

    2 - Tudo depende de como você vai fazer o starter e qual o valor final que você quer chegar em número de células. Por exemplo, com erlen de 5L, começando com 110 B de células viáveis, você chega no máximo a 900 B, se isso estiver dentro do que você precisa pode ficar com um step só, é bem mais seguro do que fazer vários starters. Eu evito sempre fazer muitos passos a menos que seja necessário, pois quanto mais você mexer na levedura, mais você se arrisca a contaminar. Em alguns casos em lab a gente precisa fazer mais de 10 passos, e isso não é legal para levedura muitas vezes, pois ela se reproduz por muito tempo, em processos fermentativos que começam e param muitas vezes, ainda mais fazendo em casa em que o controle de variáveis é mais precário, você realmente pode correr o risco de contaminações e mutações. Então evite mais de um step sempre que possível.

    Para finalizar vou te dar uma dica: Não faça o starter perfeito, você não precisa dele e você corre mais riscos interferindo tanto assim no starter. Eu diria para no máximo você garantir o O2 usando bobinha de aquário, usar extrato de levedura, uma OG até 1,040, manter em agitação média/alta na temperatura de 30ºC e só! Você nunca notará a diferença desse starter para o melhor starter do mundo. O melhor starter do mundo pode fazer diferença apenas quando você quer colocar a levedura em situações extremas, no demais é desperdício de tempo e dinheiro.
     
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  9. 26/3/19 #9

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    @Inglorious Brewers sobre a rotação do agitador magnético: Estive conversando com um amigo e ele disse que leu em algum lugar que se tiver muita rotação no starter acaba matando a levedura por causa do forte atrito causado pela alta rotação...
    Essa afirmação é correta?
     
  10. 26/3/19 #10

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    Nenhum agitador magnético comercial para starter é capaz de girar a uma velocidade suficiente para fazer isso, além do mais, a levedura resiste até a centrifugação. Você só vai correr o risco de matar sua levedura se deixar uma quantidade pequena de starter por bastante tempo em um liquidificador.
     
  11. 26/3/19 #11

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    Meu agitador é com cooler de PC sem controle preciso de rotação, a rotação é diretamente relacionada com a voltagem da fonte que eu uso..

    Quando eu uso um volume maior de starter preciso usar uma fonte de 12v para dar conta de movimentar o líquido (formar o vórtice).

    Mas se for pouco volume de starter e usar a mesma fonte de 12v, o vórtice fica muito violento e por isso me preocupei com essa questão...

    Então, fico tranquilo que não afetaria em nada no meu caso, visto que quando faço um volume menor de starter eu ligo uma fonte de voltagem menor e assim consequentemente diminui a rotação do cooler e gera um vórtice normal, mas pelo visto nada influenciaria no caso..

    Grato pelo esclarecimento!
     
  12. 26/3/19 #12

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    Em casa eu tenho um agitador feito com ventoinha de cooler, com fonte de 12V também. Domingo eu fiz um ministarter de 400 ml na rotação máxima. O stater estava perfeito. Na verdade, agitações mais vigorosas ajudam o starter, porque além de colocar a levedura constantemente em contato com fermentáveis, ajuda bastante na oxigenação.
     
  13. 26/3/19 #13

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    Show de bola!

    Então vou continuar a usar fonte de 12v que proporciona um vórtice até o fundo sem preocupações..

    Valeu!
     
  14. 26/3/19 #14

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    Meus caros, ainda nao tive tempo de fazer meu agitador magnético, porém gostaria de fazer um starter com um cilindro de oxigênio medicinal e uma pedra difusora de inox colocada no interior do erlenmeyer a uma vazao constante e razoavelmente baixa. Alguém ja fez starter dessa forma ?
     
  15. 27/3/19 #15

    Heitor

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    Em relação ao trecho abaixo:

    Faço starters de 2 litros. Quando finalizar o starter, posso despejá-lo na cerveja sem decantar? Despejo os 2 litros? Caso positivo, a oxidação da "cerveja" do starter não irá agregar off flavor na meu mosto?
     
  16. 27/3/19 #16

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    A respeito desta sua dúvida, o Brulosophy fez um "exbeerment", onde concluiu que não fez diferença no resultado final jogar todo volume do starter ou esperar ele decantar.

    http://brulosophy.com/2016/10/10/decanted-vs-full-yeast-starter-exbeeriment-results/

    Eu geralmente espero decantar uns 15 minutos e descarto o sobrenadante, mas até onde essa é a melhor técnica, isso certamente dependeria de maiores estudos e avaliações sensoriais.
     
  17. 27/3/19 #17

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    Não faz diferença alguma no resultado final, primeiro porque o O2 é bastante utilizado no starter e o excedente é constantemente expulso por arrasto. Ou seja, se você tomar seu starter verá que não tem gosto de oxidado (eu faço isso sempre). Eu geralmente utilizo o starter inteiro, nunca faço a separação, mas se quiser deixar a levedura decantar, fique a vontade.
     
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  18. 27/3/19 #18

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    Também sou do time que manda todo o starter para dentro do fermentador. Como minha cozinha fica anexa ao escritório da minha empresa, 24h antes da brassagem disparo o starter a partir de DME ou mesmo mosto de malte pilsen, e só desligo o stir plate depois do resfriamento, quando vai todo o starter para o fermentador (mais 2 l de cerveja no final).
     
  19. 27/3/19 #19

    gevaudan

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    Mas vai diluir o mosto, mudando a cor, o IBU e diminuindo a OG. Creio ser um problema a se levar em conta nas levas de densidade alta, justamente onde o starter é mais necessário.

    Fiz uma leva de 15 litros com densidade de 1.070. Precisei de um starter de 1,5 litros. Não descartei o sobrenadante e a OG caiu drasticamente.
     
  20. 28/3/19 #20

    Osternack

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    Também acho que dá no mesmo.
    Eu normalmente começo a brassar bem cedo, então desligo o stir plate antes de dormir, na véspera, e na hora de inocular descarto o sobrenadante. Resultados semelhantes ao tempo que usava o starter todo.
    Comecei a descartar o sobrenadante justamente quando resolvi provar e achei o gosto ruim, meio azedo.
     

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